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A Anorgasmia ou transtorno do orgasmo é uma disfunção sexual que acontece majoritariamente em mulheres e se caracteriza pela ausência, dificuldade ou retardo no orgasmo, ponto máximo ou clímax do prazer sexual. O orgasmo encontra-se na terceira fase da resposta do sexo. As 4 fases são excitação, platô, orgasmo e resolução.

A Anorgasmia é a segunda maior queixa sexual, atingindo cerca de 30% das mulheres e apresentando causas multifatoriais que abrangem queixas físicas e psicológicas. Neste artigo, irei elucidar acerca das causas psicológicas que contribuem negativamente para o “bloqueio” do orgasmo.

A libido ou desejo sexual apresenta um papel importante na dinâmica do sexo, pois sem libido não ocorre a excitação, lubrificação, nem orgasmo. E muitos fatores podem influenciar negativamente na dificuldade do aflorar do apetite sexual. Algumas das causas mais comuns para a falta da libido incluem: depressão, crenças negativas acerca do sexo, traumas, ansiedade, baixa autoestima, apatia, estresse, problemas hormonais, problemas com o parceiro, menopausa e o uso de determinados medicamentos ou substancias.

Photo by Adam Cybulski on Unsplash

Dicas para ter uma vida sexual satisfatória:

1- Deixe seus problemas fora do quarto

Na fase de excitação, é importante que a mulher esteja inteira, em estado de entrega. Caso esteja estressada, preocupada ou com pendências com seu parceiro, pode não ocorrer o transudato vaginal, inviabilizando a rubricação, o que ocasiona dor, mal estar e ardência durante a penetração. E o que era para ser um momento prazeroso, passa a ser uma experiência ruim, onde se quer terminar o mais rápido possível. Sendo assim, é imprescindível focar-se cognitivamente e emocionalmente no ato sexual, valorizando as preliminares, o abraço, o jogo de olhares, o toque, o beijo, o sussurro ao pé do ouvido, falar abertamente o quanto o parceiro é envolvente, atraente, sem pressa ou constrangimento. Todo esse processo libera um hormônio chamado ocitocina, responsável pela vinculação afetivo-emocional, o que aumenta a intimidade do casal e torna a vida sexual mais satisfatória, pois saúde também engloba uma sexualidade saudável e para isso precisa envolvimento e comprometimento.

2- Avaliação da educação sexual com suas crenças e conceitos

Um outro aspecto muito importante a ser considerado no caso da Anorgasmia é a educação cultural e familiar, bem como as crenças em torno do sexo. Em um processo psicoterapêutico, é muito importante abordar se a paciente recebeu educação sexual e que tipo de educação recebeu. O que uma relação sexual significa para ela? A realização de uma vinculação amorosa que traz completude e bem estar ou algo feio, sujo, imoral e pecaminoso? Importante trabalhar ponto por ponto com a paciente acerca de suas vivências, de sua educação sexual e do que o sexo representa para ela. Importante ressaltar que uma relação sexual também tem sua sacralidade, sua beleza, o divino em si, o portal da vida e para a vida. O problema é que algumas pessoas o associam com algo sujo e pecaminoso, um tabu, algo que não pode ser abordado. Neste contexto, não é à toa o alto índice de Anorgasmia e falta de libido.

3- Esteja com a autoestima em dia

Muito importante estar com a autoestima em dia, se sentindo bem consigo, atraente, bonita, sensual, tendo um bom auto conceito e autoimagem, aceitando seu corpo com suas características e particularidades, o seu biótipo. Quando a mulher não se sente bem consigo mesma ou à vontade com o parceiro ou quando se preocupa com possíveis julgamentos sobre ela, isso causará retraimento e sexo é entrega. Sendo assim, caso a mulher não se sinta à vontade com seu corpo ou outros aspectos que podem interferir em uma vida sexual saudável, é importante trazer essas queixas em pauta para que possam ser elaboradas e ressignificadas.

4- Cure traumas do passado

Assédio, abuso sexual, estupro ou mesmo vivências relacionais abusivas e tóxicas diretas ou indiretas na grande maioria das vezes provocam traumas o que repercute negativamente em uma vida sexual saudável. Isso acontece porque a partir dessas vivências, o sexo ficará relacionado cognitiva e emocionalmente com um trauma, requerendo ajuda profissional especializada.

Espero que estas elucidações e dicas tenham ajudado a compreender e melhorar sua saúde sexual.

Crédito da imagem de capa: Pixabay

Autora
Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Autora em 4 livros publicados. Escritora em vários portais, jornais e revistas no Brasil e exterior.

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