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Um relacionamento amoroso poderia ser uma fonte de crescimento e autoconhecimento, mas infelizmente, para algumas pessoas, esse autodesenvolvimento não acontece porque ao encontrarem um parceiro, investem somente na relação, não deixando somente outras áreas da vida de lado, mas principalmente a si mesmos, se anulando, passando a não mais existir. E quando a pessoa deixa de existir, a quem o outro irá amar?

Obviamente que isso não acontece com todos. Me refiro a um grupo específico de pessoas que se anulam. No período de conquista, elas se cuidam, mantém uma boa aparência, investem em crescimento pessoal ou mesmo profissional, mas com o passar do tempo e por motivos vários, elas vão esquecendo de si e dos seus sonhos. Nesse contexto, vai acontecendo uma desconexão delas consigo, de modo que muitas vezes não sabem mais seus próprios gostos, passatempos, deixam a carreira de lado, algumas inclusive até se desconectam da sua espiritualidade. Em outras palavras, elas se perdem de si mesmas e tudo passa a girar em torno do parceiro e da relação. E fora disso não há sonhos, nem vida.

Contraditoriamente aquela pessoa por quem o parceiro se apaixonou já não está mais ali, e isso causa um certo estranhamento no outro e conseqüentemente a relação passa a esfriar, ocorrendo desconexão emocional porque de fato a pessoa de antes deixou de existir.

Esse é o ponto em que a pessoa se sente abandonada e rejeitada pelo parceiro, sem perceber que, geralmente, antes do outro, ela mesma se largou, se rejeitou e se abandonou. E quando o outro vai embora e o relacionamento termina, seu mundo pode se desmoronar completamente, não tendo outros reforçadores para agarrar-se, outras razoes e significados para continuar seguindo em frente, exatamente porque o mundo se resumiu somente no outro e esse outro já não está ali.

Para contextualizar essa situação, a educação financeira aconselha que nunca devemos investir em um só lugar todos os nossos recursos financeiros, pois se ali der problema, teremos depósitos em outros lugares, que, diante de uma urgência, podemos contar. E caso o investimento não estiver dando certo, porque continuar investindo? Para que perder tempo e energia? Para que perder tempo de vida?

Créditos: Foto de Josh Willink no Pexels.

As pessoas precisam investir em todas as áreas da sua vida, sentindo-se útil para si e para os outros, construindo redes de apoio, ou seja, uma dinâmica de apoio social e emocional.

Duas perguntas para refletir nessa situação específica são:

1- Você valoriza e dialoga sobre suas necessidades ou somente são levadas em conta as necessidades do(a) parceiro (a)em seu relacionamento?
2- Quando você assumiu um compromisso com seu parceiro/parceira, você se abandonou, se anulou?

Sugiro que antes de assumir um compromisso amoroso com alguém, primeiro assuma um compromisso consigo. Você não precisa deixar de existir para estar numa relação. Você não é mendigo emocional nem é pedinte de amor, você precisa se conscientizar do seu valor e colocar-se na vida prática com o devido respeito que merece, pois ser mal correspondido no amor é igual a premio de consolação, além de não funcionar, é constrangedor, para não dizer depreciativo.

Portanto, não espere a pessoa ideal para se cuidar, se arrumar, se perfumar, se dar carinho e amor. Caso internalize essa ideia e a ponha em prática, será muito difícil se anular ou deixar de existir em qualquer relacionamento. Para iniciar essa dinâmica, sugiro que você se dê exatamente aquilo que está esperando do outro.

Autora
Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Autora em 4 livros publicados. Escritora em vários portais, jornais e revistas no Brasil e exterior.

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