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Antes de tudo, gostaria de corroborar que o objetivo deste texto não é fazer julgamentos ou apontar culpados, mas tão somente ser um meio elucidativo para que pais, cuidadores e educadores possam ser esclarecidos acerca das necessidades afetivo-emocionais da criança.
De acordo com Jeffrey Young que desenvolveu a Terapia do Esquema, a criança apresenta 5 necessidades emocionais básicas, também conhecidas como tarefas evolutivas:

1- Pertencimento e aceitação:

Trata-se do desenvolvimento de vínculos seguros na criança a partir da participação afetiva e efetiva dos pais, em que a aceita como é, que tem disponibilidade para ouvi-la, validá-la, oferecer amor e carinho, bem como disponibilidade e um apoio seguro nos momentos de dificuldade, ou seja, a criança sabe que pode contar com aquele adulto, pois é valorizada e aceita. Quando essa necessidade emocional não é atendida, a criança poderá desenvolver desconexão e rejeição e as conseqüências são: ter problemas em seus vínculos e em seu convívio social, como não se sentir aceita em seu ambiente e não confiar no vínculo com outras pessoas.

2- Liberdade de expressão e validação emocional:

Nascemos com 4 emoções básicas: alegria, tristeza, medo e raiva.

Estas emoções oferecem proteção, apresentando uma função de sobrevivência, sendo portanto, imprescindíveis para nosso bem estar emocional. Através das emoções, a criança vai expressar como se sente e do que precisa diante de determinadas circunstancias. Se por exemplo uma criança cai e chora, ela precisa de acolhimento e validação na expressão da sua dor.

Contudo e infelizmente, alguns pais e cuidadores nas melhores das intenções ainda dizem o famoso “engole o choro”, ou “todos estão vendo você chorar, que coisa feia”. Ou seja, além da criança ter caído e se machucado, ela ainda não tem direito de chorar. Esse é somente um exemplo dentre tantos outros de falta de liberdade de expressão seguido de invalidação emocional.

Crianças que não tiveram essa necessidade emocional atendida, podem se tornar adultos inibidos emocionalmente, ou seja, desconectados das suas emoções, pois durante seu período de desenvolvimento acreditaram que inibir suas emoções seria a melhor forma de se comportar. Além disso, tenderão a buscar em seus relacionamentos interpessoais esta validação que não foi recebida.

Foto de cottonbro no Pexels

3- Autonomia, competência e sentido de identidade:

A criança precisa expressar suas ideias e desejos, mesmo que estes últimos não possam ser todos satisfeitos. Contudo, ela precisa fazer seus primeiros ensaios de independência e auto eficácia. Portanto, pais superprotetores que resolvem tudo para o filho, no qual o mesmo tem capacidade cognitiva e motora para resolver, dificulta que esse filho resolva pequenos problemas e desafios e conseqüentemente não proporcione que essa necessidade emocional seja devidamente atendida. Quando isso acontece, a criança pode internalizar a ideia de que não tem capacidade suficiente para resolver seus próprios desafios, podendo se tornar um adulto que se considera incapaz, incompetente e dependente de outras pessoas para resolver o que está ao seu alcance, mas que acredita não ter recursos psicológicos para resolver.

4- Limites realistas e autocontrole:

Para uma sociedade funcionar, é preciso que existam regras e limites. Por este motivo, quando os pais dizem não a uma criança por um comportamento indevido, eles estarão preparando seu filho para um convívio saudável entre seus pares. É preciso que desde cedo a criança aprenda a “se colocar no lugar do outro”, a respeitar a direito dos coleguinhas, assim como os seus também precisam ser respeitados. Portanto, é preciso que a criança aprenda a lidar com frustrações e limitações. Caso essa necessidade não seja atendida, a criança se tornará um adultoque pensa que tudo pode, sem respeitar limites e regras de boa convivência.

5- Espontaneidade e lazer:

Como o próprio nome sugere, a espontaneidade diz respeito ao brincar por brincar e não tendo um objetivo específico subjacente por trás da brincadeira. Toda a espontaneidade da criança precisa estar ali, pois criança precisa ser criança, ela tem direito à imaginação e criatividade. Obviamente que a criança precisa de acompanhamento no seu brincar, afastando objetos que podem machucá-la. Porém, se a menina quer brincar de caminhão ou o menino de casinha, não há nenhum mal nisso. Outro aspecto importante, é que durante o período do desenvolvimento infantil, é nocivo sobrecarregar a criança com inúmeras tarefas, corroborando que ela precisa de um tempo para o repouso e passatempo. Nenhuma fase da vida volta e criança que não teve essa necessidade atendida pode se tornar um adulto perfeccionista e emocionalmente tenso.

Este foi apenas um breve resumo de algumas informações acerca das 5 necessidades emocionais segundo a Terapia do esquema. Por tudo que foi elucidado, o melhor presente do Dia das crianças, é a presença dos pais, a fortificação da vinculação, dos laços e que as necessidades acima elucidadas possam ser atendidas para que não surjam os chamados Esquemas Iniciais Desadaptativos. Irei abordar sobre os EIDS’s em um outro texto.

Enfim, os pais fazem o que podem e a maioria deles fazem o seu melhor de acordo com as circunstancias e muitas vezes de forma vicária, mas sempre buscando acertar. Contudo, conhecendo as 5 necessidades emocionais da criança, os pais podem ter acesso a informações que possam ajudá-los a atuar de uma forma mais assertiva diante deste período tão delicado, que é o período do desenvolvimento infantil.

Autora
Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Autora em 4 livros publicados. Escritora em vários portais, jornais e revistas no Brasil e exterior.

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