Viver é algo complexo de compreender, pois vai além do nosso olhar fragmentado em um determinado contexto especifico da experiencia perceptiva de cada um. Viver é algo quase indecifrável, porém bastante previsível. A vida é cheia de desafios, de alegrias inebriantes, altos e baixos, pausas e sons. Muitas pessoas relatam que diante das frustrações da vida, esta parece perder o sentido. Nestes momentos “de esvaziamento existencial” o que nos resta fazer?

Elaborei aqui 7 reflexões para quem está vivenciando esta falta de sentido e significado neste momento específico da própria vida.

1- Onde está o seu sentido de felicidade ou a sua razão de viver?

Onde você colocou o seu coração e os seus sentimentos mais profundos? Quando perdemos algo precioso, materializado em expectativas, sonhos e pessoas caras, parece que o mundo desaba sobre as nossas cabeças e como se não bastasse, o chão se abre e caímos no abismo das nossas frustrações, desesperanças e falta de fé na vida. A maior dor que existe no ser humano é sentir o vazio que corrompe e nos rouba os nossos dias de vitalidade. Sentimo-nos inúteis, tais como mortos-vivos, sem rumo e sem destino. Perdemo-nos no meio do caminho, observando a “representação do nada” que restou, como um céu sombrio sem estrelas gerado pela angustia de não saber mais qual o lugar em que ocupamos neste mundo. Parece que tudo se perdeu e não tem mais jeito. Não deposite seu total sentido de felicidade em algo externo, pois como já relatei em um artigo anterior, a pior perda é a de nós mesmos.

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2- Você está realizando os seus anseios mais profundos?

Existe um desajuste entre nossos anseios mais genuínos e o que o mundo nos exige, eis o grande impasse existencial. Na atual sociedade consumista e de aparências, não existe muito espaço para trabalharmos as nossas tristezas, dores e desalentos, visto que vivemos a cultura da felicidade constante, muitas vezes pautada na falsidade e aparências. Há quem acredite que chorar as dores da alma torna a vibração mais baixa e que atrairemos mais daquela condição. Porém, trabalhar a dor e o luto são processos importantíssimos para seguirmos adiante emocionalmente limpos e de cabeça erguida. Sofrimento faz parte da vida e deve ser trabalhado sim. O que não é saudável é permanecermos em estado eterno de sofrimento. Junto com o sofrimento surge um desejo mascarado de “não-existência”. De qualquer modo, se o panorama mudou, é preciso recomeçar, pois quando algo morre, não existe outra alternativa que recriar a própria existência em novas roupagens.

3- Você está priorizando e construindo a vida que de fato deseja para si?

Dizem que procuramos a felicidade e nos esquivamos do que nos causa sofrimento. Mas será que é sempre assim? E aquela situação desconfortante que você não quer deixar de modo algum, embora te traga desilusão ou constrangimento? Ou mesmo aquela relação amorosa que você não quer abrir mão? Por que nos infligimos alguns sofrimentos? Por que muitas vezes não nos esquivamos deles? Reavalie a sua vida, reflita atentamente sobre estas questões e se necessário busque ajuda.

4- O que é existencialmente importante para você?

Parece que vivemos anestesiados diante dos reais valores da vida. Aquisição material ou de conhecimentos não é necessariamente preditivo de felicidade e realização existencial. Não estou em nenhum momento dizendo que estes não são importantes para a vida, mas somente estas aquisições não preenchem o nosso sentido profundo de felicidade e paz de espírito. Se nos propusermos a trabalhar um contato genuíno com nosso eu profundo, certamente virão muitos insights para a conscientização do que realmente é existencialmente importante para você. Entre em contato com suas necessidades profundas, se escute mais.

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5- Ajude ou beneficie alguém quando sentir vazio existencial:

Não confunda esta atitude com escapismo ou subterfúgio para fugir dos seus problemas cotidianos ou não encarar a sua realidade de frente. Precisamos ter uma visão holística da vida, e sendo assim, para que o todo funcione é necessário uma interligação harmônica, pois o egoísmo impede nossa possibilidade de felicidade. Quando sentir que a vida perdeu o sentido, permita-se cuidar de algo ou alguém. Esta ação de generosidade lhe proporcionará benefícios inimagináveis para o bem estar de todos. Dê-se a oportunidade de vivenciar esta experiencia e comprove os seus resultados na sua vida.

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6- Não seja cruel consigo:

Você tem o dever de assumir responsabilidades pessoais e sociais, mas não tem o direito de ser cruel consigo. Como estamos em contínuo processo de construção, somos suscetíveis a erros, frustrações e descontentamentos no tocante aos resultados ou expectativas malogradas. Portanto, se algo não saiu como o desejado, não se culpe. Aprenda a lidar com expectativas e principalmente com as frustrações que aparecerem no caminho. Culpabilizar-se e se vitimizar não resolvera o desafio, o problema ou o conflito. Ao invés de se lamentar, resmungar e culpar céus e terra, reúna todos os aprendizados da experiencia que “não deu certo” para fazer diferente da próxima vez. Um passo de cada vez. Quem se frustra diante de resultados, certamente está querendo atingir metas e superar obstáculos. Em outras palavras, está buscando crescer e aperfeiçoar-se. Sair da nossa zona desconforto nem sempre é fácil, pois exige dedicação e tempo.

7- Procure ajuda externa:

Qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Você está preparado para o inesperado? É muito importante a busca de ajuda externa como preventivo para as frustrações da vida, visto que teremos momentos de vitória e completude, mas também de decepções e intimações a recomeços. Aparentemente somos seres frágeis, mas nesta suposta fragilidade, nos surpreendemos com a nossa força de superação. No percurso poderemos perder algumas coisas da bagagem, mas tudo pode ser recuperado, refeito e superado. No entanto, fazer o percurso de superação sozinhos é um tanto desolador. Precisamos das mãos amigas para nos sentirmos compreendidos e acolhidos em nosso processo de superação e renovação.

Soraya Aragão

Soraya Aragão

Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde.

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