De acordo com a APA (Associação Americana de Psicologia) os transtornos do estresse estão divididos em 3 subgrupos: Estresse Agudo, Estresse Crônico e Transtorno do Estresse Pôs Traumático. Neste artigo, tratarei do Transtorno de Estresse Agudo (TEA).

Transtorno de Estresse Agudo (TEA):

O Transtorno do Estresse Agudo é pontual, sendo uma resposta instintiva diante de ameaças, principalmente da vida, sendo caracterizado por desajustes de ordem emocional, cognitiva, fisiológica e psíquica. No Estresse Agudo, há um aumento substancial da ansiedade como mecanismo de defesa e enfrentamento, tendo como objetivo a “fuga”, o “ataque” ou o “congelamento” e havendo, portanto, liberação de cortisol, noradrenalina e acetilcolina.

Estando diretamente relacionado a alguma agressão geradora de um trauma, como um assalto, abuso sexual, perda repentinas em que a pessoa não tem tempo de se reorganizar como um seqüestro, por exemplo, o Estresse Agudo pode levar a pessoa a um estado de choque temporário. O impacto do trauma depende da magnitude das contingências ameaçadoras para a integridade física e psíquica da pessoa, abrangendo também a sua resiliência, ou seja, o modo como essa pessoa funciona e atua em situações de vulnerabilidade. Um aspecto bem interessante é que o trauma pode ser vivenciado também indiretamente, principalmente com pessoas que tenham um vínculo afetivo, como família e amigos.

Caso o Transtorno de Estresse Agudo não seja superado no período de 4 semanas após o evento estressor, este tipo de estresse pode evoluir para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Foto de engin akyurt en Unsplash

Para o diagnóstico do Transtorno do Estresse Agudo (TEA), precisam estar presentes pelo menos 9 dos sintomas apresentados a seguir e que podem surgir até 3 dias após o evento traumático e que podem persistir por até 4 semanas:

1- Perda da memoria de partes significativas do evento traumático;
2- Memórias intrusivas;
3- Irritabilidade ou mesmo ataques de raiva;
4- Flashbacks ou revivescência do fato traumático através de estímulos sensoriais;
5- Humor negativo, pessimismo;
6- Se assustar com facilidade ao menor estimulo externo. Ou seja, a pessoa apresenta sobressalto ou movimento súbito estimulados por um barulho, por exemplo;
7- Problemas cognitivos, como dificuldade de concentração e memorização;
8- Distanciamento de si, podendo ocorrer dissociações, como despersonalização e desrealizaçao;
9- Esquiva de pessoas ou situações;
10- Pesadelos em que através do sonho a pessoa revivência o fato traumático;
11- Excitabilidade e cibervigilância;
12- Distúrbios do sono;

Além dos sinais apresentados, outros sintomas também podem surgir:

1- Boca seca;
2- Dores de cabeça;
3- Tensão muscular;
4- Ativação psíquica;
5- Dor mandibular;
6- Apreensão e angústia;
7- Sensação de morte, de perseguição, medo, ansiedade;
8- Problemas gastrointestinais;
9- Queda de cabelo;
10- Problemas cardiovasculares;

Como tratar:

Por ser pontual, o Transtorno Agudo ao Estresse obtém excelentes resultados com a psicoterapia, muitas vezes não necessitando de tratamento medicamentoso. A não ser que os sintomas do TEA ultrapassem 4 semanas, que no caso poderia ter evoluído para um quadro de TEPT ou ter outros distúrbios em curso. Deste modo, através de uma avaliação psicológica e médica pode-se diagnosticar, bem como avaliar a adequada intervenção terapêutica para aquele paciente especifico.

Na psicoterapia, muitas técnicas são utilizadas, onde o paciente é orientado de maneira eficaz a recuperar sua homeostase psicofísica através da escuta empática e validação de suas emoções, bem como liberação de medos e tensões através de técnicas específicas.

Autora
Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Autora em 4 livros publicados. Escritora em vários portais, jornais e revistas no Brasil e exterior.

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