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As emoções fazem parte da nossa vida, pois além do lado racional, somos também seres emocionais. Nascemos com emoções primárias ou universais que são: raiva, tristeza, medo e alegria. Posteriormente, desenvolvemos as emoções secundárias ou adquiridas, que são moduladas pela cultura, meio social, familiar e econômico e que são uma mescla das emoções primárias com outros componentes cognitivos e emocionais. Podemos elencar como secundárias: a culpa, o orgulho, o remorso, a vergonha, o ciúme e a vaidade por exemplo. A nossa história de vida tem um peso muito grande na forma de como percebemos e vivenciamos nossas emoções secundárias e como nos comportamos diante das pessoas e das circunstâncias da vida.

Apesar de estarmos constantemente em contato com nossas emoções e estas influenciarem em nossos sentimentos e comportamentos, infelizmente, e na maioria das vezes algumas pessoas não sabem reconhecer, nomear e sequer lidar com as mesmas de maneira funcional e, neste caso especifico, requerendo o desenvolvimento da habilidade da regulação emocional. Em outras palavras, as emoções inatas e adquiridas estão constantemente presentes em nossa vida, mas a maioria das pessoas não sabem reconhecê-las, tampouco administrá-las. O movimento que percebo é de “demonização” e “aniquilamento” destas emoções em todas elas tem função protetiva, pois se foram desenvolvidas evolutivamente, tem um porque de existir. As pessoas querem aniquilá-las, extirpá-las como se fosse algo ruim, o que é uma crença completamente errada. A natureza é sábia e como já disse, se essas emoções existem e atuam, existe um motivo protetivo e evolutivo. A fuga destas emoções traz uma série de complicações psicossomáticas, problemas cognitivos, bem como a Alexitimia Secundária. A questão aqui não é deixar de sentir, mas em saber como agir de forma adequada diante deste sentir.

Para explicar o que é regulação emocional, gostaria de contextualizar nossas emoções com o volume de um som. Caso o som esteja com a intensidade mínima, a sensação psicoacustica não será percebida pelo ouvinte. Contudo, se a intensidade do som for máxima, provocará uma sensação muito desagradável e até danos à nossa audição. O mesmo acontece quando as emoções estão em desequilíbrio, ou seja, quando não estão reguladas adequadamente e conseqüentemente produzindo pensamentos, sentimentos e comportamentos disfuncionais que influenciarão negativamente em nossas escolhas, posicionamentos e qualidade de vida. Tudo exige equilíbrio e nada há emoção boa ou ruim mas o bom ou mal utilizo da mesma. Uma faca pode ser útil para cortar uma fatia de bolo, mas também pode causar um corte no dedo para uma pessoa pouco atenta. Pasmem, mas até mesmo a famigerada inveja teve seu papel evolutivo para a coesão social humana. Falarei especificamente desse tema em outro texto.

Foto de Jan Kopřiva no Pexels

Sendo assim, a regulação emocional se dá através do autoconhecimento, no aprendizado e administração das próprias emoções, da identificação dos conteúdos que estão subjacentes a comportamentos que a pessoa percebe como indesejáveis, problemáticos e que lhe causa prejuízo e sofrimento.

Algumas estratégias e técnicas para a regulação emocional:

As principais estratégias utilizadas no processo psicoterapêutico para o desenvolvimento da regulação emocional é a análise funcional do comportamento (expressão exacerbada da raiva, medo, impulsividade, por exemplo) trazendo à luz o que existe por trás destes conteúdos e seus mecanismos de defesa. Temos também o manejo do estresse, como o relaxamento muscular progressivo, as técnicas de coping, como o Mindfullness, os exercícios respiratórios, os exercícios de coerência cardíaca, a reestruturação cognitiva, dentre tantas outras técnicas que estão em outras abordagens psicológicas.

Não saber regular as emoções pode trazer muitas conseqüências desagradáveis para a vida cotidiana da pessoa, como comer ou comprar compulsivamente, sentir intensa ansiedade, agir com impulsividade, não saber priorizar o que de fato é importante no contexto de vida daquele paciente especifico e nem fazer escolhas assertivas. 

Autora
Soraya Rodrigues de Aragão
Psicóloga, Psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Autora em 4 livros publicados. Escritora em vários portais, jornais e revistas no Brasil e exterior.

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